ARABESQUE

ARABESQUE
Em passos de arabesque escrevo

23.5.11




aprendiz

esqueço as armaduras
a noite absoluta
o sal

e novamente aprendiz de azul
rendo-me à doçura
e à tepidez macia do olhar que é teu


© Jade Dantas

10.5.11



além do azul



nas zonas de sombra
o que não foi efêmero

além do azul
flutua nas minhas mãos

curva do infinito a me escorrer na pele

buscando-te além do poema
naquilo que não foi dito

errantes miragens
que jamais descobriremos.


© Jade Dantas

2.5.11




aragem

a poesia canta em minhas mãos
na inevitável dança que a palavra completa

sou dela, sou poeta
escrevo movida por sua voz

de essência, sina, miragem
brotando-me das mãos

sua canção tem asas de seda e leveza de borboleta
pousa suavemente nas palavras

incitando-as a voar
na intensidade das coisas seduzidas


© Jade Dantas

24.4.11



esfinge

não me procures
na curva dos meus ritmos
onde o tempo me perdeu de mim

quem sou é um contorno no infinito
um vulto que sumiu no corredor
mascarando a outra que ainda sou

©Jade Dantas



sítio do meu avô


sertão. noite de inverno
luz de lamparina. interior
sítio do meu avô. cai uma chuva fina
mulherada reunida na cozinha

tomo café e escuto a observação
feita pra mim, moça da cidade
- não venha aqui de madrugada
- por quê? - melhor num vir

(sorrisos misteriosos) - sei
(querem me pegar!)
- fantasmas? (rio) - como sabe?
agora rio alto sem pensar

elas calam. suspiram
- desculpem-me - não quero chatear
- tudo bem, imagina!
porém, na madrugada, a fome bate

no meio do creme de abacate
olho de lado e fico estática:
bem junto a mim, um arlequim
enorme, olhar zombeteiro

na pia um vulto estranho
brota do ralo. tremedeira
fujo, vou me deitar. nossa! sítio, interior
nunca mais! sou da cidade!


©Jade Dantas

17.4.11




tempo de ser


o amor tem seu tempo de ser
e minhas mãos são tímidas

o amor quer ouvir a vida
deitar no chão deslumbrado de nuvens

e minhas mãos são de poesia
tecendo a insensatez das palavras

mas em algum lugar esqueci as asas
e me perdi de mim


©Jade Dantas

12.4.11

Arabesque de Sonhos

Arabesque de Sonhos



ponte

porque continuas luz
a me enluarar

porque crio uma ponte
por obscuros desejos numa teia de vazios

e porque ainda assim
tento reconstruir tua presença impossível

© Jade Dantas

9.4.11




coragem


e por falar em mistério
lembro um espelho vazio, incolor
olhar emparedado aguardando os dias

e por falar em palavras
o silêncio é uma arma
e a poesia é vôo em vida dupla de metáforas

despertando em si mesmo a imagem do espelho
sem medo, sem culpas, alado


©Jade Dantas

26.3.11



vindo ao meu encontro

e se chegasses de repente
mais que o homem a certeza de que vieste
e de que foi por mim que vieste

olhos, pele, voz e ardor
caminharíamos de mãos dadas
o mundo esquecido lá fora

sonharíamos de eternidade
esquecidos os abismos
e as distâncias

contigo viriam sussurros, a poesia
a cálida esperança dos sonhos
e poemas jamais imaginados


©Jade Dantas



novo estilo

ele quer um fast-food
mas ela sonha um slow-motion
o forever é outmoded?

new style

he wants a fast-food
but she dreams a slow-motion
is the forever outmoded?

© Jade Dantas / Ricardo Mainieri

21.3.11




miragens


ultrapasso palmo a palmo meus limites
fugindo ao tempo da magia

e dos olhos repletos de miragens
em busca da razão

quando quero dizer sim
digo - não!


© Jade Dantas

10.3.11



carnaval

na insensatez
faltou-me tua boca
para a embriaguês

© Jade Dantas


todas as luzes

se no avesso da mente
azul e quente estás apenas nos poemas

por quantas idades me ficarão tuas palavras?
por quantas luzes teus olhos estarão comigo?

©Jade Dantas


promessa


o encantamento
não passou de promessa vazia

o romance morreu
em alguma curva da estrada

restou qualquer coisa atrás da neblina
ecos nas margens do nada

viajantes espaciais
de asas incineradas

©Jade Dantas

27.2.11




ciumes

colho a vida com as mãos para o alto

não pertenço a ninguém

sou minha, movimento e dança



no espaço, ao sabor do vento

fugindo às obsessões dos ciúmes

quartos escuros nas lembranças



sou viajante das estrelas

pelas ternuras e imensidões da paixão

sou canção


©Jade Dantas

26.2.11





contenção



rasgar as palavras

que não te escrevi



contidas sufocam

dançando silenciosas

à minha volta


©Jade Dantas
TEMOS VAGAS


Na entrada do estabelecimento uma placa: “TEMOS VAGA para o silêncio”.
A colocação me levou a refletir sobre quais as vagas que dispomos no nosso país. Neste caso, o silêncio adquire novos significados.
Não precisamos do silêncio covarde, que grita de ressentimentos, desinteresse, bloqueios. O silêncio carregado de amargura, tensões e desespero. O silêncio desesperançado que diz – No Brasil é assim mesmo, não adianta falar.
Não temos vaga para o silêncio inerte e alheio, amordaçado pela certeza de que não adianta nenhuma reivindicação..
Dispomos muitas vagas para a palavra que fala o diálogo da reconstituição. Vagas para a voz que grita contra a impunidade, contra a absolvição criminosa.
Vagas para as vozes que se erguem, bem alto, vindas de todo o país, pelos direitos humanos, covardemente violentados pelas autoridades, até por aqueles pagos para nos proteger. E não precisamos ir longe, basta abrir o jornal de hoje – “Policiais acusados de tentativa de abuso sexual – três adolescentes espancados e chamados a fazer sexo oral em PMS” – Jornal do Comércio, 12 de fevereiro de 2011, Recife.
Mais à frente, no mesmo jornal – “Câmeras flagram PMS espancando adolescente, por ter supostamente se recusado a parar no trânsito, em Feira de Santana – BA”.
Diariamente os abusos multiplicam-se pelos noticiários de todo o país. E quantos terão acontecido sem que tenham sido divulgados?
Numa escala maior a impunidade também se multiplica por todas as esferas. Punidos apenas os crimes menores, que não envolvem autoridades e interesses.
Então me sinto na obrigação de incluir nesta crônica um justo apelo que me chegou pela internet, mesmo omitindo o autor:
“Sou professor de Física, de ensino médio, de uma escola pública em cidade do interior da Bahia e gostaria de expor o meu salário bruto mensal: R$650,00. E saibam que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior e recebem minguados R$440,00.
Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não pretendendo generalizar, afinal ainda existem bons professores lecionando, porém, atualmente, a regra é esta - O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado.
Sinceramente, leciono porque sou um idealista e vejo a profissão como um trabalho social.
Entretanto, nesta semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro.
Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.
Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.
Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior.
Diante dos fatos, gostaria muito que fosse iniciada uma campanha nacional, na qual o lema seria – “TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES.”
TEMOS VAGA – muitas, para a honestidade, a honradez, a dignidade.
Temos vagas para professores com salários dignos, vagas para bons hospitais públicos, para o compromisso com a saúde, a segurança e o resgate dos valores morais.
Inúmeras vagas para políticos comprometidos com o respeito ao país que deixaremos aos nossos filhos.

©Jade Dantas
PALAVRAS INÉDITAS


Não é fácil escrever fazendo malabarismos, coagidos pela superficialidade pretendida.
São as metáforas que escalam essas barreiras.
Não é nada fácil caminhar corajosamente, margeando paixões e desesperos, sem pisar em nebulosas e cair nas fendas abertas dos nossos próprios abismos..
Existem palavras transgressoras que nos elegem, brotam e nos assaltam onde nos encontrarmos. Seduzem os ouvidos e não foi por acaso que brotaram. As temos na mão, mas não lhes encontramos destino.
Podem nos mudar as idéias, desvendar nosso lado selvagem, quebrar nossos limites. Palavras esperando o tempo de emergir, de ser inteireza.
Algumas fingem se entregar mas são indomáveis. Nossa língua é um campo fértil, cada palavra é uma fonte de água pura.
Outras têm sabor, deslizam na boca, acalmam e são plenitude porque nos incitam a olhar para dentro. Trazem consigo o sabor dos domingos. A vida e a incógnita que a acompanha.
Porém são vorazes, devoram nossas verdades e buscas, evocam nossas vozes inauditas, insinuam, comprometidas apenas com nossos sentimentos, nossas fomes.
A poesia sabe de tudo isto.
Muitas permanecerão inéditas, jogos de luz e sombras, até o final de nossas vidas.
Definitivo apenas o milagre da escrita.

©Jade Dantas



frevo


quero você me tentando à luxúria
quero suas mãos me desvendando abismos

ânsia lavas fogos de artifício
você poesia em meu desejo de azul

você que me consegue enlouquecer
dançar um frevo com meus sentimentos

poesia em meu carnaval sem fuso horário
renitente, insondável, abismal


©Jade Dantas

Um doa poemas classificados para a Coletânea da Prefeitura do Recife - Biblioteca de Afogados.



BRUMAS


suavizando o tempo onde te quero
na incoerência dos gestos de penumbra

meu desejo inesgotável e insensato
delira nas brumas da tua ausência



©Jade Dantas

22.8.10




invasão

sou tua
da pele que registra
lembranças a sentir-te o sabor
presente em minha língua

do que em nós era acalanto
mesmo apenas palavras
a me apagar as rupturas

do que me envolve e continua a transbordar
opondo-se aos nãos dos devaneios
em meio às tardes mornas aliciando sonhos

do desejo intenso com que te respiro pelas noites
querendo-te sempre, as pernas entre as minhas
do que ainda é arrepio quando a lembrança seduz

das pequeninas coisas tuas que sempre serão minhas
da tua voz que me invade os pensamentos
do que poderia ser diferente

©Jade Dantas

6.8.10




do que restou


minha poesia
é a canção do que restou

a essência revisitada
na lembrança da tua pele

te escrevo e nem sabes
da vastidão

os nossos olhos agora
não miram mais a mesma direção


©Jade Dantas


cenários


minha palavra é a miragem
que sussurra no olhar

nela busco os reflexos dos abismos
a adrenalina arrepiando a pele

surgindo na madrugada
viajante inesperada

deslumbrada
reconstruindo cenários


©Jade Dantas



poema clandestino


inconscientemente
clandestinamente

antes de adormecer
falo teu nome sem sentir

és parte da minha linguagem
e por não estares comigo de verdade
poema, adormeces comigo

no sonho regressas em ardências
e mergulho no teu sorvedouro
lembrando que vivo


©Jade Dantas

24.7.10




vida nossa de cada dia



instigo a vida
à luminosidade das coisas
às ousadias

e ela me desafia
às escaladas dos caminhos
aos abismos

à utópica liberdade
festa onde somos penetras
presos ao que nunca passa

porque viver é um filme leve
e na liquidez das horas
é uma arte diária


©Jade Dantas

18.7.10




palavras


atravessando espelhos
do profundo ao raso

podem ser poesia
ou pedra compacta

fronteiras do asfixiado
vorazes, amordaçadas

como calar palavras não ditas
se o silêncio é feito de gritos?


©Jade Dantas

16.7.10




panorama


quero-te semeador do imaginário
percorrendo meus caminhos

escalando montes, esculpindo pontes
sobre oceanos

amanhecendo todos os dias
nos meus cenários

e iluminando a travessia
com poesia

©Jade Dantas



trem-bala


morreu o tempo das manhãs
do amor tecendo brisas
sob as folhas silvestres das palavras

é o tempo da indelicadeza
o amor sem infância corpo morto
mito desafinado

faminto encarcerado humilhado
onde o milagre do semear?
o solo é árido

as janelas estão fechadas
as distâncias encurtadas
desnecessários caminhos

o amor é um trem-bala

@ Jade Dantas



©Jade Dantas



declaração de vício


meu vício
justapõe montagens atiçadas na pele

porém declaro, para todos os fins
meu desejo de paz

levanto os olhos, crio asas
voar não dói. recolho imagens
respiro novas palavras, sinto-me curada

mas se vejo teu retrato
o vício retorna aos gritos
sem aviso prévio

e declaro, para todos os fins
continuo viciada

©Jade Dantas

10.7.10




quase nada


acordes imprevistos
submersos
melodiando as madrugadas

distantes
música vestida de ausência
quase nada

melodia inacabada
que me espreita
vaga e irreal

©Jade Dantas

5.7.10




pico do Jabre

na magia do cenário imperturbável
por encostas, pedras e paisagens
exibindo-se à platéia dos seus vales

na força dos impovoáveis ermos
o pico do Jabre é ousadia e força
mesmo submetido às afrontas

de humilhantes feridas de antenas
cravadas pela insensibilidade
de políticos levianos e covardes

poluindo o mais belo monumento
o ponto mais elevado do estado
e aos paraibanos de mãos atadas

paralisados ante o poder do governo
sobra a angústia em olhos de noite
fincados na bandeira do ultraje


©Jade Dantas



renascimento


o prazer do caminho é voraz
seguir sem limites
sem a angústia de ausências

a poesia reencontrada
no limiar das águas
dizendo sim à vida

a tristeza diluida
a lua a falar de poesia
existir é desejo de infinito

©Jade Dantas

4.7.10




quase

na solidão do tempo esgotado
mergulhou

desnuda e desamparada

em busca dos abismos ocultos
do nada


© Jade Dantas

27.6.10




poema


me olhas com olhos de me despir
e revelar minha indecência

escreves teus desejos
no livro aberto do meu corpo

percorrendo letra por letra
os poemas que ali escreveste

acaricio as páginas e a minha mão
esfomeada é o teu corpo que me cavalga


©Jade Dantas

25.6.10




amargor


isenta de mim
na interseção do sonho e do amargor

perplexa
frágil e tarde demais

imóvel

sou um ponto vazio e opaco
atrás da cortina do que não foi


©Jade Dantas



Barreira que rompe+chuva forte=destruição igual a tsunami. Palmares e adjacências, aqui em Pernambuco, e União dos Palmares e adjacências, em Alagoas, estão quase completamente destruídas. Foi um horror o que aconteceu em nossas terras pernambucanas na semana que passou.
No link, algumas fotos de Palmares que saíram no jornal.
Este ano, os festejos de São João, com shows e artistas programados pela Prefeitura, são máscaras forjadas para iludir o povo com teatro e pão.
Jade


http://www.flickr.com/photos/jconline2/sets/72157624194062069/show/




tendências



se esperar até amanhã
quem sabe, a dor se acalme

quem sabe, perca-me de mim
afinal é feriado nacional

o Brasil joga,
quem sabe?


Jade Dantas

20.6.10

"PORQUE A VIDA, A VIDA, A VIDA, A VIDA SÓ É POSSÍVEL REINVENTADA"
Cecília Meireles



quem sou?


sou uma curva no tempo
não me enquadro aos roteiros

do convencional
brinco com as estrelas

danço na superfície da lua
prefiro a audácia à monotonia

amo criar do nada
a canção inusitada, as tangentes

os trilhos invisíveis
meu caminho é o impossível


©Jade Dantas

7.6.10




rituais


para a sede
que não cabe no poema

máscaras irracionais
em busca de sentido
em busca de vida

©Jade Dantas


imagem de Picasso

1.6.10

DÁLIA



Quando chove, lembro a Dália. Brincávamos que era movida a eletricidade, parecia brotar em toda parte. Vivia se propondo a entrar numa dieta que nunca começava. Mas era gulosa, comer lhe dava prazer. Na noite da enchente que levou quase tudo, a procuraram no pavimento superior da casa onde deveria estar dormindo. No térreo já havia água na metade da escada. Teria saído na madrugada, com aquela chuva? Desceram, foram à rua, nada.

Pela manhã, quando a água baixou, a encontraram na cozinha. Plantada na lama, a mão segurando a porta da geladeira. Não precisava mais se preocupar com a dieta.


©Jade Dantas



circunstâncias


arquivo palavras
de desapego
para explicar-te

mas desafias o tempo
e estás inteiro como te sei
como me sabes


©Jade Dantas



tempo de germinar


talvez seja o tempo
da germinação. voz, olhos, mãos
brotando do campo de silêncios

captando o instante
anunciando novas flores
entre folhas de outono

tempo de frutos, cores
recapturando as seduções
brotando de antigas raízes


©Jade Dantas

26.5.10




FATALIDADE


Por esse encontro e essa intensidade, percorreríamos o mundo inteiro.
Pareciamos prever, desde sempre, da imensidão contida no amor e seu caráter de urgência. Urgência que não saberiamos colocar em palavras.
Saber da música orquestrada antes de nós a esperar-nos.
Quando imaginavamos uma vida inteira, a fatalidade destruiu os castelos, o amor fluindo pelos dedos, o tempo orquestrando os cenários da vida.


ãJade Dantas

24.5.10




evasões


por falta de jeito
revisto-me de evasões

crio algo psicodélico
um código metafórico

construo cenários sem nome
de antigas perturbações

faço novas abordagens
emolduro a vida em poesia

e reconstruo a nós dois -
o bandido e a mocinha


©Jade Dantas

20.5.10




diferenças


o vida te fez rocha
fortaleza muralha

sou a água sinuosa
que desliza ao teu lado

és puro aço
esquecido de doçuras

sou a volúpia das ondas
convidando ao mergulho

te cristalizas fechado
sou oceano revolto

és penhasco és abismo
eu sou um pássaro livre

és limite sem parágrafo
sou vôo ilimitado


©Jade Dantas

18.5.10




don't stop


escolho as intenções como bandeiras
subindo montes, quebrando barreiras

escolho a curva do horizonte
em vez da estrada reta

em vez desta noite tão imensa
de tanta ausência, escolho a intempérie

©Jade Dantas

16.5.10




calmaria


por trás da dor que se esconde
abrem-se janelas

redescobrimos o sol e o luar
lá fora há um novo dia

é o tempo exato de ressurgir
de se deixar embalar


@Jade Dantas



manipulação


direi sempre não aos horizontes restritos
da manipulação

sempre - nunca mais!
à alma fraturada

quero a voragem
a emoção partilhada do delírio
quero o mel e o sal


©Jade Dantas



braços abertos


sou nuvem, sou rio solto
reinvento minhas margens

lanço-me das montanhas
sem prisões e sem barragens

vôo mãos dadas com o vento
vôo de braços abertos

minha mente é meu refúgio
onde me escondo em palavras


©Jade Dantas