ARABESQUE

ARABESQUE
Em passos de arabesque escrevo

21.3.12

POLÊMICA

POLÊMICA


Meus queridos todos
Meu poema abaixo - Noite Suja - vem causando polêmica no mundo virtual. Tenho recebido muitas respostas, a maioria a favor, outros ironizando, falando em utopia, que sucede em todo o mundo e, outros mais, confessando se refugiarem no voto nulo.
Preciso esclarecer que não sou uma pessoa politizada - no sentido de uma participação ativa - mas todo ser humano é um ser político, então não dá para não enxergar.
Mesmo não me metendo na briga, porque detesto brigar, sou a favor de usar nossa escrita como arma. Omitir-se é insensibilidade e inconsciência, não acham?
Se nosso povo prefere o "Panis et circensis" é por falta de cultura, esclarecimento, algo que nunca tiveram e que os orientaria em seu senso crítico.
Não sou voltada a partidos, mas sim à sensatez de quem se propõe a nos dirigir, seja de qual for o partido. Acho que ao votar nulo entregamos o país aos mais espertos e não aqueles que achamos os melhores ou os "menos ruins". Não sou de esquerda nem de direita porque lá e cá surgem pessoas dignas de crédito. A nossa "Dama de Ferro", a Dilma, por exemplo. Confesso que não votei nela, mas a admiro pela coragem e capacidade de trabalho. Em vez de andar flanando por aí, entrega-se de verdade ao trabalho, enfrenta a revanche de quem a quer enquadrar na leniência costumeira e se impõe. É por aí. Esquerda ou direita são apenas lados da moeda. Importa quem consegue se manter à tona da sujeira e trabalha no interesse do povo e não do seu próprio.
Mesmo que apenas um voto não valha muito, somando-se todos dará um bom tamanho e não podemos desanimar e "entregar o ouro ao bandido". Afinal, este é o nosso país, o único que temos como nosso. Vamos lutar ao nosso modo, escrevendo, votando, meu amigo.
Ao menos não cruzamos os braços e nos deixamos amordaçar pela insensibilidade geral
Abraços
Jade




noite suja


o tempo passando inútil
precário na noite suja

cinzento abismo contido
em algum descaso do ontem

vive sem amparo e sem ajuda
- ajuda que lhe é devida -

movido a drogas, quem sabe
talvez sua única fuga

e perde a vida soterrado
acorrentado à miséria

enquanto acima da lei
os verdadeiros responsáveis

eles, sim, os miseráveis
enriquecem à sua custa


@ Jade Dantas

14.3.12




Parabéns aos poetas, brasileiros ou não, pelo Dia Nacional da Poesia




secreta mirada


a poesia renasce nas madrugadas
naturalmente como nascem os dias

após secreta mirada em meus desejos
escreve-se na mente adormecida

me inebria ao despertar nua e febril
e se atreve a falar na minha pele

o seu olhar alcançando meus enredos


Jade Dantas

12.3.12

ETERNIDADE






eternidade


apenas eu
todas as metáforas no ar

o perfume da tua pele
nos olhos cerrados

asas do ontem

o amor ressuscitando eterno
nos tumultos onde me navegas


©Jade Dantas

9.3.12





dissonância



quando a distância esculpiu a solidão
noites amputadas
sem linha de chegada

eram dissonantes miragens

mutilando a intensidade das canções
estáticas, pairando no ontem
sem amanhã


©Jade Dantas

7.3.12





e o dia deles?


e qual é o dia deles?

se lutamos pela igualdade dos sexos
não é obsoleto um dia das mulheres?

no fundo é um grande despautério
se não criaram um dia dos homens
será que os outros são deles?

além do ponto mais importante -
tirando as que se vivem nas clausuras

quem quer viver sem eles?


@Jade Dantas



no dia delas


para as médicas e enfermeiras que viram madrugadas
pela saúde dos que precisam delas

com salário muito abaixo do que valem
as mais belas tulipas holandesas

às professoras que se dividem
para arrancar da ignorância nosso povo

com salário muito abaixo do que valem
rosas de todas as cores

para as que lutam no campo, que cuidam da casa
sem perspectiva de nada

com salário muito abaixo do que valem
muitos amores-perfeitos

e que todos os dias sejam o dia delas
sempre-vivas no Dia das Mulheres


@Jade Dantas

3.3.12

FEITIÇO




feitiço


o amor azul que se tornou distância
tem voz de doçuras e sabor de pecado

o amor azul que se tornou ausência

começou nova história, abriu novas portas
deixando suas marcas por toda parte

o amor azul que se tornou saudade

enraizou-se no sangue alimentado
pelo aconchego infinito do passado

no amor azul que se tornou silêncio


@Jade Dantas

2.3.12

A POESIA





a poesia



lá vem a poesia nas sombras da noite
brinca de ciranda, convida a cantar
deita-se comigo, me acorda no escuro
me pega de jeito, quer me encantar


lá vai a poesia brincando na rua
é ela quem dança à luz do luar
desliza em minha pele, me acende desejos
sussurra palavras, vem me atiçar


me faço rogada mas ela nem liga
gira à minha volta, só pensa em brincar
alego preguiça, ela não acredita
me conta segredos, me faz despertar


depois de acordada procuro esquecê-la
traiçoeira, perscruta no fundo do olhar
tento trabalhar, ela é má conselheira
tenho de escrever para me livrar


@ Jade Dantas

29.2.12

CHUVA





chuva


fui buscar o som
da chuva pra pintar o tempo
coloriu de ausência


@Jade Dantas

26.2.12





brinde à saudade


és um perfume
nas minhas mãos vazias
desarrumas minha vida, meus armários

e vendo a chuva lá fora ganhas forma

- que outras mãos
extasiadas de prazer e excitação
ouvirão a tua voz amorosa?

e vendo a chuva lá fora ganhas forma

num brinde de ternura melancólica
canção de um mar que nunca esvazia
chamado saudade


@Jade Dantas

24.2.12





alucinações


subsiste algo da perdição
das madrugadas

sinfonias inquietas
dormem nos meus olhos

trago palavras jamais pronunciadas
e desejos acumulados
buscando uma praia

uma partitura
caminha sem pautas ou regente

melodia isolada
de movimento e vida
desaguando no poema


@Jade Dantas

23.2.12




repressão


a vida lhe vai tranqüila
por rotinas sem sentido

seus sonhos foram podados
o cotidiano é patético

mas inconscientemente
a inquietação se libera

e vai em busca de emoções
vendo novelas


©Jade Dantas

22.2.12

MIRAGENS





miragens


se o carinho que ficou se fez insônia
e tudo que se falou de amor foi dito

desertos de areia e de abismos
calarão a ternura ofuscante

em miragens dos gestos perdidos
nas arestas do tempo itinerante


©Jade Dantas

18.2.12




anestesia


e o carnaval chegou
máscaras

tantas vezes sobrepostas

violência
da multidão desvairada

no picadeiro do frevo

disfarçando carências
fantoches dos enredos


@Jade Dantas

12.2.12




águas da solidão


os horizontes velados no olhar
as alvoradas todas já vividas
o véu de sombras perdido no rosto

a melodia esquecida no avesso

o corpo, o barco, o medo
velejando águas da solidão
caminhante buscando descanso

na poesia que dança em sua mão
são as vidas que jamais viverá
com saudade, sem amor nem perdão

@Jade Dantas

4.2.12

DESASSOSSEGO





desassossego


vem, me dá tua mão
nesta noite inundada de passado

teu corpo exato rondando meu desejo

de ser tua em desatinos e desvelos
na incoerência de amar-te ainda

mas desejar te desamar e amando

nítida e mágica presença clandestina
nesta noite de desassossego


@Jade Dantas

28.1.12





intermezzo



em noites de sol maior
ondeando blues em si bemol

tua flauta doce vibrando atrevida

marulhaste melodias vadias
sobre meu corpo de mar

e enluaramos o mundo sem avisos

que poderia ser de abismo e pausa
o próximo compasso



@Jade Dantas

22.1.12

IRREALIDADE




instantes


presa ao tempo itinerante
navego no que me encanta

naquilo que é instigante

porque a urgência me chama
transito em perdas e ganhos

busco o instante que me atiça

mas tempo se dissipa
se esquiva e se vai se vai


Jade Dantas

29.12.11




urgência



cavalgada


teu sortilégio
embala minhas noites

tripulante
das tuas cavalgadas

me reinventas
para tua sede

nos ardores
dos teus olhos cerrados

refletidos no espelho insone
que fascinado registra nosso instante


©Jade Dantas

25.12.11




plenitude


nem sempre foi assim
onde o dia não ilumina e a noite
parece um poço sem fim

antes do tempo de não ser
construíamos pontes e dias
pequenos demais para tanto gostar
para a música dos risos
e a intensidade no olhar

nem sempre foi assim
onde o dia não ilumina e a noite
parece um poço sem fim


@Jade Dantas




always


para que seja amigo
não haverão dias nem horários
abismos e distâncias impossíveis

amigos

são como quem abre janelas
incinerando escuros
como quem sai da clausura

©Jade Dantas



Hoje é o Dia de Natal
e o aniversário de Jesus é a razão da festa.
Foi através do Seu amor que estamos aqui, tentando evoluir para pessoas humanas dignas deste amor.
É com este amor que Ele deixou que, no mundo inteiro, apesar das guerras e discórdias numa sociedade despida de valores, foi criada esta corrente de solidariedade, bondade, paz e luz chamada Natal, e a esperança de que, algum dia, tenhamos a renovação da pessoa humana em todo o mundo.

Um grande abraço
Jade

11.12.11




desvario


temo que este desejo
incontrolado a me impelir com força
de correnteza enchente explosão

e tento esquecer me conter
em vão fugir não me entregar
mas volta e invade sem reversão

desconhecido e tão intenso vício de ti
que não contenho procuro
transborde um dia lavas de vulcão

me transformando em cinzas
que certamente
desenharão o teu nome pelo chão

@Jade Dantas

5.12.11




fascínio


no mar bravio
diluo-me
mansa enseada nos teus braços

deslizas em meu corpo
sem rumo

sou remoinho
sem início e sem final


@Jade Dantas

29.11.11





essência


meu amor é feito de azul
com algo de eternidade

feito de ser livre pelo caminho
onde as noites nascem

meu amor dorme no agora
múltiplo e imprevisto

melodia inesquecível
flutuando à minha volta


@Jade Dantas

14.11.11




ondas


areia iluminada
sob um luar de poesia
te reencontro em mergulhos
por ondas de melodia

@Jade Dantas



pulsação


sou a paisagem à minha frente
minha hora é agora
sempre

©Jade Dantas



grito


nas mãos adormeço o desejo
da tua pele:

- não um grito, antes uma fonte
de ternura. o amor guardado
atrás do olhar

teu nome esconde-se
em meus lábios:

- não um grito
mas uma vontade louca de gritar

5.11.11





fuga impossível



se a poesia nasce em meu olhar
tento fugir, construir muros
cobertos de razão onde isolar
a fantasia, calar o sonho

esquecer teus olhos, teu chamego
caminhar firme, andar de pés no chão
mas a poesia vem e me diz: não!
as palavras descobrem a hesitação

e me seduzem, murmuram versos
lembram beijos
e o amor que é sonho ou fantasia

desconcertos, passes de mágicas
me toma em braços de paixão e rimas
para dançar no canto das palavras


@Jade Dantas

30.10.11





infinitude



desafiando o tempo, agitados e tontos
levitando pelas madrugadas
éramos seres novos e muito antigos

imagens inapagáveis
reencontrando em sonhos
a perdida infinitude de pássaros


© Jade Dantas

17.10.11




trégua



hoje não preciso de palavras
nem poesia nem metáforas

o que preciso
não tem nome não é livre
é pedra é desatino

palavras
seriam supérfluas e vazias


© Jade Dantas