http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/tchaikovsky_sym3.html Arabesque de Sonhos

2.3.08


TERNURA
©Jade Dantas

Há um novo ritmo surgindo
entre os estilhaços da solidão.
Uma nova chuva a lavar as lágrimas.

Quando tudo parecia fora de alcance
surge uma nova ternura suavizando a descrença
um novo eco, um novo desejo de dançar
Imagem: Christian Coulombe



PARA QUE MAIS?
©Jade Dantas

Somente a tua pele na minha.
Somente
a tua boca e tua pele

por mais que outras
lânguidas, lindas e doces
existam, provoquem.

Não fingirei a mim mesma que não te espero.
Por mais distante que estejas
apenas a tua pele, eu quero. Nada mais.
Imagem: Graham Dean





LEVITAÇÃO
©Jade Dantas

Devem ser diferentes as almas dos poetas!

Por que não encontro
em ninguém mais
aquela transcendência do diálogo,

quando as palavras
e os encontros
eram vidas inteiras?

Seria só pela ausência
do vôo?

Éramos seres novos e muito antigos
reencontrando a perdida
capacidade de pássaros,

agitados e tontos
em levitação nas madrugadas.
Não, amado meu.

Tu sabes e sei eu.
Era bem mais que isso.
Muito mais.

Imagem: autor desconhecido




ONDE ANDARÃO
©Jade Dantas

Onde andarão teus olhos
esta noite? São tantas mãos
e olhares, caminhos

fáceis, superficiais.
Sabor de vazio no depois.
Convites, atraindo amores

cultivados
nas coxas entrelaçadas.
Fechadas as rotas do coração.

Enquanto a vida prossegue
a passos largos
sem esperar por nós.

Apenas eu, numa janela aberta
para a noite, em um lugar qualquer
acredito em te esperar.
Imagem: Rodolfo Seves



25.2.08


INSÔNIA
©Jade Dantas


O silêncio da noite
é preenchido, inteiro,
com a falta tua.

Sombra, multiplicando a ausência,
canção tardia das madrugadas
solitárias.

Suspira em meus olhos de rios
onde os teus se adivinham.
Desenha-te o contorno do corpo

nesta insônia
por onde passeia o desejo
dos teus braços.
Imagem: Christian Coigny

13.2.08


NÃO ADIANTA
©Jade Dantas

Pura perda de tempo, sabias?
Fugir. A âncora permanece,
submersa em mim.

Como esquecer a navegação,
ventos, velas e tempestades?

Esquecer águas bravias ou tranqüilas
onde navegamos, o que ficou na pele
misturado a algas e espumas.

A face iluminada tatuada na alma.
Meu corpo num ballet aquático de incansável espera.

Não adianta, acredita, nem tentar.
Imagem: Pilobolus



11.2.08


QUERO-TE
©Jade Dantas

As palavras afagando o instante...

Não qualquer palavra,
as tuas.

Um mar de esperança
ondulando nos meus olhos,
criado pelo teu olhar.

As ondas do amor
banhando o corpo e a alma,
tua nau navegando em mim,

a ventania do desejo envolvendo
tua boca de oceano.

As palavras afagando o instante...



SERÁ
©Jade Dantas

Será que algum dia
te enxergarei com olhos
outros, que não os do amor?

E, o que verei eu
nesse dia?

15.1.08



RENOVAÇÃO
©Jade Dantas


Não quero esse amor de meia-idade
contaminado pelas dores que tivemos.
Merecemos muito mais!

Busquemos a alegria, perdida
no fundo do olhar.
Vamos mergulhar nas águas da paixão,

conectar os adolescentes que fomos,
renovar ânsias e ardores (lembras?)
despoluir a alma e o coração.

Vamos dançar, celebrar o tempo
que a vida nos dá, viver o agora.
Sem passado.


4.1.08


Um ano de 2008 de saúde, paz e esperanças realizadas.

Minha primeira inspiração de 2008, para você com um abraço.
Jade


FUGA
©Jade Dantas

A janela libera o sonho,
a noite
me faz criança.

As metáforas não reconhecem
que o mar me ensina
a fuga das ondas

e traçam espirais no meu poema
onde um pássaro
levanta asas.