Arabesque de Sonhos
A poesia me abraça com asas de inspiração. Palavras se erguem de lá onde guardei os sonhos, desfazendo mantas do tempo que se desdobram. Cintilam. A poesia me convoca, roçar de asas. Asas de poesia. Me conduz em seus vôos, até o alto, nas rotas mágicas por onde os pássaros costumam voar. A poesia é a insubstituível companheira que caminha comigo.
2.3.08

LEVITAÇÃO
©Jade Dantas
Devem ser diferentes as almas dos poetas!
Por que não encontro
em ninguém mais
aquela transcendência do diálogo,
quando as palavras
e os encontros
eram vidas inteiras?
Seria só pela ausência
do vôo?
Éramos seres novos e muito antigos
reencontrando a perdida
capacidade de pássaros,
agitados e tontos
em levitação nas madrugadas.
Não, amado meu.
Tu sabes e sei eu.
Era bem mais que isso.
Muito mais.
©Jade Dantas
Devem ser diferentes as almas dos poetas!
Por que não encontro
em ninguém mais
aquela transcendência do diálogo,
quando as palavras
e os encontros
eram vidas inteiras?
Seria só pela ausência
do vôo?
Éramos seres novos e muito antigos
reencontrando a perdida
capacidade de pássaros,
agitados e tontos
em levitação nas madrugadas.
Não, amado meu.
Tu sabes e sei eu.
Era bem mais que isso.
Muito mais.
Imagem: autor desconhecido

ONDE ANDARÃO
©Jade Dantas
Onde andarão teus olhos
esta noite? São tantas mãos
e olhares, caminhos
fáceis, superficiais.
Sabor de vazio no depois.
Convites, atraindo amores
cultivados
nas coxas entrelaçadas.
Fechadas as rotas do coração.
Enquanto a vida prossegue
a passos largos
sem esperar por nós.
Apenas eu, numa janela aberta
para a noite, em um lugar qualquer
acredito em te esperar.
Imagem: Rodolfo Seves
25.2.08
INSÔNIA
©Jade Dantas
O silêncio da noite
é preenchido, inteiro,
com a falta tua.
Sombra, multiplicando a ausência,
canção tardia das madrugadas
solitárias.
Suspira em meus olhos de rios
onde os teus se adivinham.
Desenha-te o contorno do corpo
nesta insônia
por onde passeia o desejo
dos teus braços.
Imagem: Christian Coigny
13.2.08

NÃO ADIANTA
©Jade Dantas
Pura perda de tempo, sabias?
Fugir. A âncora permanece,
submersa em mim.
Como esquecer a navegação,
ventos, velas e tempestades?
Esquecer águas bravias ou tranqüilas
onde navegamos, o que ficou na pele
misturado a algas e espumas.
A face iluminada tatuada na alma.
Meu corpo num ballet aquático de incansável espera.
Não adianta, acredita, nem tentar.
©Jade Dantas
Pura perda de tempo, sabias?
Fugir. A âncora permanece,
submersa em mim.
Como esquecer a navegação,
ventos, velas e tempestades?
Esquecer águas bravias ou tranqüilas
onde navegamos, o que ficou na pele
misturado a algas e espumas.
A face iluminada tatuada na alma.
Meu corpo num ballet aquático de incansável espera.
Não adianta, acredita, nem tentar.
Imagem: Pilobolus
11.2.08

QUERO-TE
©Jade Dantas
As palavras afagando o instante...
Não qualquer palavra,
as tuas.
Um mar de esperança
ondulando nos meus olhos,
criado pelo teu olhar.
As ondas do amor
banhando o corpo e a alma,
tua nau navegando em mim,
a ventania do desejo envolvendo
tua boca de oceano.
As palavras afagando o instante...
©Jade Dantas
As palavras afagando o instante...
Não qualquer palavra,
as tuas.
Um mar de esperança
ondulando nos meus olhos,
criado pelo teu olhar.
As ondas do amor
banhando o corpo e a alma,
tua nau navegando em mim,
a ventania do desejo envolvendo
tua boca de oceano.
As palavras afagando o instante...
15.1.08

RENOVAÇÃO
©Jade Dantas
Não quero esse amor de meia-idade
contaminado pelas dores que tivemos.
Merecemos muito mais!
Busquemos a alegria, perdida
no fundo do olhar.
Vamos mergulhar nas águas da paixão,
conectar os adolescentes que fomos,
renovar ânsias e ardores (lembras?)
despoluir a alma e o coração.
Vamos dançar, celebrar o tempo
que a vida nos dá, viver o agora.
Sem passado.




