ARABESQUE

ARABESQUE
Em passos de arabesque escrevo

29.2.12

26.2.12





brinde à saudade


és um perfume
nas minhas mãos vazias
desarrumas minha vida, meus armários

e vendo a chuva lá fora ganhas forma

- que outras mãos
extasiadas de prazer e excitação
ouvirão a tua voz amorosa?

e vendo a chuva lá fora ganhas forma

num brinde de ternura melancólica
canção de um mar que nunca esvazia
chamado saudade


@Jade Dantas

24.2.12





alucinações


subsiste algo da perdição
das madrugadas

sinfonias inquietas
dormem nos meus olhos

trago palavras jamais pronunciadas
e desejos acumulados
buscando uma praia

uma partitura
caminha sem pautas ou regente

melodia isolada
de movimento e vida
desaguando no poema


@Jade Dantas

23.2.12




repressão


a vida lhe vai tranqüila
por rotinas sem sentido

seus sonhos foram podados
o cotidiano é patético

mas inconscientemente
a inquietação se libera

e vai em busca de emoções
vendo novelas


©Jade Dantas

22.2.12

MIRAGENS





miragens


se o carinho que ficou se fez insônia
e tudo que se falou de amor foi dito

desertos de areia e de abismos
calarão a ternura ofuscante

em miragens dos gestos perdidos
nas arestas do tempo itinerante


©Jade Dantas

18.2.12

12.2.12




águas da solidão


os horizontes velados no olhar
as alvoradas todas já vividas
o véu de sombras perdido no rosto

a melodia esquecida no avesso

o corpo, o barco, o medo
velejando águas da solidão
caminhante buscando descanso

na poesia que dança em sua mão
são as vidas que jamais viverá
com saudade, sem amor nem perdão

@Jade Dantas

4.2.12

DESASSOSSEGO





desassossego


vem, me dá tua mão
nesta noite inundada de passado

teu corpo exato rondando meu desejo

de ser tua em desatinos e desvelos
na incoerência de amar-te ainda

mas desejar te desamar e amando

nítida e mágica presença clandestina
nesta noite de desassossego


@Jade Dantas