ARABESQUE

ARABESQUE
Em passos de arabesque escrevo

21.7.11





era uma vez


era a viagem e o destino desde o início
a intensidade estava à nossa espera
fomos um passo além do apreensível

nas mil e uma noites que me deste
o que valia era o encontro, era o instante
da imersão voluntária no impossível

e o milagre se fez carne e se fez verbo
restou o silêncio, o eco, o grito e a poesia
quando se estilhaçou o que era eterno


@Jade Dantas

15.7.11



além dos limites


para experimentar o amor
tens de falar as palavras
onde ardem as ousadias
sabores e perdições

e depois

esquecer de todas elas
quando se tornarem demais


@Jade Dantas

Poema do meu livro - Pelo Avesso

7.7.11




noturnos


a música pousou cedo
em minhas mãos
revelando seu mundo de magia

compôs tons de bemóis e sustenidos
deixou-me rastros de sinfonia
pássaros feitos de espaço e sons

intemporais adormecidos
nas sonatas de acordes solitários
e noturnos descompassados

ainda brilha em tons maiores
e oblíqua me absorve
na busca incessante da poesia


@Jade Dantas

Foto - Jade aos 6 anos



de fuga


para esquecer teus braços
guardei minhas mágoas
na gaveta do quarto

reneguei meus desejos
teus olhos teus beijos

para esquecer teu encanto
busquei novas palavras

destravei os meus passos debrucei à janela
esperei novos dias

e cobri-me a mim mesma
com minha poesia


©Jade Dantas

3.7.11




vazio


no meio de mim
há um silêncio de pedra
gritando por vida

cescendo, cortando
denso e fundo

além da dor
não há melodia
ou poesia ancorada

apenas o vazio e o nada


@Jade Dantas


Poema vencedor do Concurso de Poemas da Prefeitura de Recife em 2010



atalhos


montanhas altas demais
pra meu desejo de bosques

abismos muito abstratos
pros meus anseios de ave

ousadias resolvidas
entre a noite e o desejo

o calor da lua cheia
no peito acordando o sol

e o silêncio toldando tudo
no desencontro sem atalhos


@Jade Dantas



águas da solidão


é a palavra acariciando abismos
dos horizontes velados no olhar
e o poema iludindo o amanhã

as alvoradas todas já vividas
o véu de sombras perdido no rosto
a melodia esquecida no avesso

o corpo, o barco, o medo
viajando águas da solidão
caminhante buscando descanso

na poesia que dança em sua mão
sãs as vidas que jamais viverá
com saudade, sem amor nem perdão

@Jade Dantas


Imagem de Christian Coigny

2.7.11




magia


antes que o dia nos desgaste
que a ausência da magia nos limite

galopa-me, sem estribos nem arreios
sou vela solta sou égua livre

antecipando a maresia e o sal
reinventando a vida
antes que se perca em rituais

@Jade Dantas